Maio 14, 2008...11:30 pm

Crítica: “Narrow Stairs”, Death Cab for Cutie

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Certamente um dos discos mais esperados do ano, “Narrow Stairs” apresenta mais uma vez um Death Cab for Cutie repaginado aos seus admiradores. No anterior Plans (2005), a banda liderada pelo cantor e guitarrista Benjamin Gibbard deixava as guitarras de lado e embalava uma sequência de músicas doces como “Soul Meets Body”, “Summer Skin” e “Your Heart Is An Empty Room”.

 

Não sobram dúvidas que “Narrow Stairs” é mais difícil de digerir que “Plans”. A começar pelo carro-chefe do álbum, o quilométrico single “I Will Possess Your Heart”. O “ba da ba ba” de “Soul Meets Body”, de 2005, antagoniza com a introdução de mais de 4 minutos de “I Will Possess…” e mostra o primeiro ponto positivo do sétimo álbum da banda de Seattle: o Death Cab for Cutie não escolheu o caminho mais fácil neste trabalho.

 

A potente introdução do baixo, seguida de uma guitarra que parece perseguir uma sonoridade nunca buscada antes acompanham a já clássica linha de piano, marca registrada do Death Cab for Cutie. A letra tem um desespero, aparente já na introdução da música. É uma nova banda em um novo álbum.

 

Ao contrário de Plans que destacava pianos e órgãos, as guitarras ganham mais espaço em “Narrow Stairs”. Prova disso são “No Sunlight” (uma anomalia desse disco, candidata a “hit”), “Long Division” e “Talking Bird” (depressivamente bela).

 

Uma experimentação ou outra são buscadas em “You Can Do Better Than Me” (uma homenagem ao ”Pet Sounds”, dos Beach Boys) e “Pity and Fear” (uma sítara indiana dá o tom da música). Quem busca o gosto doce deixado por “Plans” fique com a dobradinha “Grapevine Fires” e “Your New Twin Sized Bed”.

 

Entretanto, o título de melhor faixa do álbum sobra para “Cath…”, a que mais remete os fãs da banda aos tempos “indie” do Death Cab, como mostrava o disco Photo Álbum (2000). A garota do título leva Gibbard a escrever onde parece se sentir melhor e mais confiante: no campo dos relacionamentos. O próprio vocalista já admitiu que perdeu garotas para a música, esta, objeto de sua paixão na vida.

 

E para fechar “Narrow Stairs” confirmando a mudança de sonoridade citada anteriormente, “The Ice is Getting Thinner” é anti-balada que não lembra nem um pouco a suavidade de “A Lack of Color” do álbum “Transatlanticsm” e o refrão “cantem comigo” de “I Will Follow You Into The Dark”. Diz a letra: “We’re not the same, dear, as we used to be. The seasons have changed and so have we” (Nós não somos os mesmos, querida, que éramos antes. As estação mudaram e nós também). O trecho que inicia o ato final deste ótimo “Narrow Stairs” pode ser utilizado como um resumo para quem ainda não o escutou.

 

Classificação: 4 estrelas de 5.

 

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